Dr. Humberto Müller
Médico Psiquiatra
CRM 2439 / RQE 883
Voltar 17 de Outubro de 2025

Cetamina para depressão: novos dados brasileiros apresentados no ECNP 2025

Estudo apresentado no ECNP 2025, em Amsterdã, destaca a eficácia da cetamina subcutânea no tratamento da depressão resistente, com resultados equivalentes à via intravenosa e potencial para ampliar o acesso terapêutico de forma segura e acessível.

Cetamina para depressão: novos dados brasileiros apresentados no ECNP 2025

A depressão resistente ao tratamento (TRD) é um dos maiores desafios da psiquiatria moderna. Estima-se que cerca de 30% dos pacientes com depressão maior não apresentem melhora significativa com antidepressivos convencionais — o que tem impulsionado a busca por novas estratégias terapêuticas.

Recentemente, um grupo de pesquisadores brasileiros, incluindo o Dr. Humberto Müller, apresentou no European College of Neuropsychopharmacology (ECNP 2025), em Amsterdã, um estudo comparativo sobre a efetividade da cetamina subcutânea e intravenosa em pacientes com depressão resistente.

O trabalho coloca o Brasil em destaque no cenário internacional da pesquisa em neurociências clínicas.


 

O que o estudo avaliou

O estudo analisou 61 pacientes adultos diagnosticados com depressão resistente ao tratamento, divididos em dois grupos:

  • 40 pacientes receberam cetamina subcutânea;

  • 21 pacientes receberam cetamina intravenosa.

Cada participante passou por até 12 sessões supervisionadas ao longo de seis semanas, em ambiente ambulatorial e sob acompanhamento psiquiátrico contínuo.

💡 Vale destacar que a cetamina, nas vias utilizadas neste estudo (subcutânea e intravenosa), é considerada uma medicação off-label para o tratamento da depressão.

Isso significa que, embora ainda não possua aprovação formal para essa indicação, seu uso é respaldado por diversas evidências clínicas e publicações internacionais que atestam sua segurança e eficácia.


 

Metodologia e parâmetros de avaliação

A equipe de pesquisa utilizou escalas amplamente reconhecidas para mensurar a resposta terapêutica:

  • Beck Depression Scale (BDS) – para sintomas depressivos;

  • Beck Anxiety Scale (BAS) – para sintomas ansiosos.

O desenho do estudo permitiu comparar, de maneira direta, a eficácia, segurança e tolerabilidade das duas vias de administração.

Além dos resultados clínicos, foram observados os efeitos colaterais, tempo de resposta e percepção subjetiva de melhora pelos pacientes.


 

Principais resultados

Os resultados surpreenderam positivamente.

Tanto a cetamina subcutânea quanto a intravenosa demonstraram respostas clínicas equivalentes, com alta taxa de eficácia e baixa incidência de efeitos adversos graves.

📊 Dados de destaque:

  • 43,9% dos pacientes do grupo subcutâneo apresentaram melhora significativa dos sintomas;

  • 42,8% no grupo intravenoso tiveram resultados semelhantes;

  • A diferença entre as vias não foi estatisticamente significativa, reforçando a equivalência entre os métodos.

Além disso, nenhum evento adverso grave foi relatado.

Os efeitos leves mais comuns incluíram dissociação transitória e elevação temporária da pressão arterial, ambos autolimitados e controlados durante o acompanhamento médico.


 

Por que isso é importante

Historicamente, a cetamina intravenosa tem sido o padrão em protocolos de tratamento da depressão resistente.

Entretanto, sua aplicação exige infraestrutura hospitalar e equipe especializada, o que limita o acesso a muitos pacientes.

Os resultados apresentados no ECNP 2025 indicam que a via subcutânea — mais simples, segura e acessível — pode representar uma alternativa igualmente eficaz.

Isso abre caminho para uma maior democratização do tratamento em contextos clínicos e ambulatoriais, ampliando o alcance terapêutico a quem antes não tinha acesso.


 

Conclusão

A apresentação do estudo brasileiro no ECNP 2025 reforça o papel da psiquiatria nacional na construção de evidências científicas relevantes.

Os achados demonstram que a cetamina subcutânea é uma opção viável, segura e eficaz para casos de depressão resistente, apresentando resultados equivalentes à infusão intravenosa tradicional.

Ainda são necessários estudos de longo prazo para confirmar a durabilidade dos efeitos, mas os dados atuais já oferecem esperança real para pacientes que não respondem às terapias convencionais.

Mais do que um avanço técnico, cada novo resultado significa vida, funcionalidade e dignidade recuperadas.


BAIXE O DOCUMENTO COMPLETO CLICANDO AQUI: https://drive.google.com/file/d/15gK0vtB8tBRqeJhgIfPD0XKoTE03gWka/view?usp=sharing 
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Dr. Humberto Müller • PhD

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